jueves, agosto 03, 2006








Soneto da fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do mayor encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vao momento
E sem louvor hei de espaldar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contetamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angustia de quem vive
Quem sabe a solidao, fim de quem ama

Eu possa dizer do amor (que tive):
Que nao seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)

No hay comentarios.: